Oito e cinquenta e quatro da manhã de uma quinta-feira de verão, que pra minha alegria faz frio.
Os chuveiros estão queimados, a louça tá limpa, eu tenho aspirado a casa a cada dois ou três dias, mais ou menos, uma obra na frente do prédio, os pedreiros batem coisas, se xingam, britadeira e essa casa nem é minha.
Os chuveiros estão queimados, a louça tá limpa, eu tenho aspirado a casa a cada dois ou três dias, mais ou menos, uma obra na frente do prédio, os pedreiros batem coisas, se xingam, britadeira e essa casa nem é minha.
É um lugar pra morar, confortável e bonito, mas não é minha casa.
Atualmente eu não tenho casa.
Moro aqui de favor, ninguém me obrigou, posso ficar com meu noivo e meus três gatos em paz, quase não tem efeitos colaterais, mas habitar uma casa que não é sua, pra mim, é como fingir uma personalidade, é possível, mas todo mundo vê que tem alguma coisa estranha.
Eu tenho muita liberdade aqui, considerando tudo, mas ainda assim, não é como se eu pudesse trocar os móveis e colocar espelhos por aí.
É difícil não se sentir em casa no lugar que você mora, nem sempre, mas às vezes é e eu fico perdida.
Eu sei o que eu deveria fazer, arrumar um emprego, conseguir um lugar, eu sei disso, mas é mais fácil falar que colocar em prática.
Eu tenho um monte de habilidades, muitas mesmo, mas poucos papéis que dizem que eu tenho essas habilidades, ou pior que isso (porque até tenho os papéis), poucos lugares que valorizam minhas habilidades.
Eu sei editar vídeos, sei escrever, me comunicar, produzir vídeos, eu sei fotografar, eu sou uma atriz bem decente, eu sei ouvir e aprendo muito, muito fácil.
Mas mais que isso eu sei que não sei nada, mesmo, sempre vai ter alguém que faz bem melhor, é mais bonito, mais magro, filho do dono, ou não, eu não sei por onde começar.
Eu mando os currículos já duvidando que vai dar em alguma coisa.
Eu mando currículos pra trabalhos que eu não quero porque estou desesperada.
Eu preciso de um espaço, eu preciso de dinheiro, eu preciso poder atender o telefone, ter um telefone, poder receber meus amigos sem constrangimento, poder chamar minha família pra ver meus gatos, eu preciso de uma liberdade que eu sempre tive e que sempre me salvou desse desespero.
A verdade é que eu tô velha demais pra essas crises, eu não tenho 18 anos e isso é mais angustiante ainda.
Eu vejo as pessoas perdidas e tristes, mas com emprego.
E não é a crise, é minha personalidade, eu não sirvo pros moldes desse mundo, ou sirvo e ainda não me encontrei.
Queria ajuda, mas não tenho mais idade pra pedir ajuda, não mais do que já recebo.
Eu realmente não sei o que fazer da minha vida, de verdade.
Queria ajuda, mas não tenho mais idade pra pedir ajuda, não mais do que já recebo.
Eu realmente não sei o que fazer da minha vida, de verdade.
Ferdi é difícil mesmo. Tenho 23 anos, fornada em comunicação social e cursando pós graduação em gestão de marketing e acredita? Não tenho um emprego fixo. Mando os currículos e faço disso minha tortura diária e no final das contas não dá em nada. Enfim, o mundo gira em torno de alguns padrões e um deles é arranjar um emprego e ficar estável nele, só que nem sempre isso funciona né... Então acho que a gente tem que continuar o que estamos fazendo, seja estudando ou procurando um emprego ou apenas sendo feliz e deixando as pessoas ao seu redor felizes. A única coisa que não podemos fazer é ficar nos lamentando, porque no final de tudo, o mundo não está a fim de mudar os padrões, mas nós podemos nos encaixar em algo que nos faça bem e nunca deixar um problema definir o que somos de verdade. Uma hora alguma coisa boa de verdade vai chegar e aí todo o "drama" de agora vai ser uma coisinha pequena.
ResponderExcluirBeijos :)