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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Ontem a gente dormiu com uma morte.

Mas não só uma morte, uma tragédia.
Tragédia não se anuncia, só acontece.
Por parte de mãe eu tenho muitos tios e tias, já meu pai tem só um irmão.
O tio Leandro. 
Ele que era uma figura calma, comedida, organizada, alegre.
Eu falo no passado porque meu pai acabou de perder seu único irmão, seu irmão mais velho que tinha acabado de fazer aniversário. Do nada.
Eu escrevo esse texto ainda sem entender ou acreditar no que de fato aconteceu.
Uma violência descabida contra uma pessoa completamente pacífica.
Pacífica no falar, no andar, em cada gesto.
Eu simplesmente não consigo acreditar que alguém seria violento com meu tio, tão violento a ponto dele não existir mais.

Nenhuma das minhas escolhas me levou a conhecê-lo, ele simplesmente estava lá.
Esteve sempre. E agora não estará nunca mais.
Nenhuma festa, nenhum evento, eu nunca mais vou ver, ele não vai mais dar nenhuma carona ou só ficar sentado com aquele jeitinho dele no Chavão.
- oi, tio.
- oi, Fê.
Sei lá, a vida pode ser não só estranha como brutal.
Brutal mesmo.

Meu pai dorme aqui em casa quase todo fim de semana e o tio que traz ele.

Eu acho que religiões existem porque caso contrário, nesses momentos, todo mundo ficaria muito bravo, muito nervoso, muito muito revoltado.
Não se tira a vida de alguém.
Não se tira a vida de ninguém.
Não deveria sequer se ameaçar uma pessoa, quem dirá uma covardia tão selvagem, tão descabida.

Todo mundo devastado.
Ver meu pai chorando.
O único irmão.

E meu avô? Perder o filho desse jeito.
Quando eu falei com ele no telefone ele disse que "já estava equilibrado".

Meu vô, tudo que ele já passou, toda tristeza e mágoa e ele não reclama nunca.
"Deus não dá fardo maior do que a gente pode carregar" e esse é o mote da vida dele, não importa que horror, que situação de desalento ele passe, nunca vi ele reclamar.

E não há nada que eu possa fazer pra ajudar.
O horror aconteceu, a pior das violências.
E é isso.
Meu pai de pé e o tio Leandro sentadinho

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Hoje a gente acordou com uma morte.

Hoje a gente acordou com uma morte.
Uma morte anunciada, mas triste ainda assim.
Eu tinha sonhado com uma casa pequena, ela ficava no centro de São Bernardo, onde a Bilings morava, parecia um mar e nesse sonho minha família perguntava se podiam entrar e tomar um cafézinho, a resposta era não "minha casa é muito pequeninhinha"e eles entravam mesmo assim, passavam café, achavam biscoitos, mais de 14 pessoas, na casa pequenina, se expandiam pro jardim, virava um pic-nic, alguém caia na Bilings e todo mundo ria, feliz.
Essa era a história dentro da história, a história principal era sobre uma menina tentando prejudicar meu relacionamento, por maldade ou paixão não sei, mas eu não ligava muito pra história principal.
Tava mais interessada em passar pelas construções da minha São Bernardo imaginária e assistir Batman x Superman com todo mundo que eu cresci perto.
Em dado momento eu subia na balança e ela marcava 92kgs.
Tudo era um pouco hilário e um pouco indiferente.
Quando eu acordei fui abraçar o Renan, mas era impossível, porque a vó Ilza tinha falecido.
Falecido é uma palavra engraçada para descrever quando alguém deixa de existir.

Na prática o que acontece é que em toda visita, festa, casamento, em todo funeral que eu for, ela não vai mais, na prática quando eu entrar na casa dela, não vai mais ter ela.
É como se ela tivesse ficado brava comigo, que não suportasse mais minha presença, pra sempre.
Nunca mais se encontrar.

É engraçado estar tão triste com morte de alguém que me foi dado, eu jamais conheceria a vó Ilza se não tivesse baixado o Tinder e achado esse rapaz especialmente bonito e flertado por horas, até ele me chamar pra sair e eu ficar morrendo de vergonha e ele todo confiante.

Jamais teria ouvido as histórias sobre ela ser uma professora no interior de Minas e ter criado 7 filhos com muito amor, se eu não tivesse continuado a querer ver o menino bonito do Tinder a vó Ilza nunca nem existiria pra mim, mas graças as minhas decisões, graças a todas as minhas escolhas, eu conheci ela.

A vida é muito estranha.
Há quem se alimente da relação dos outros, literalmente, da mãe ou avó de alguém, eu não faço mais isso tem um tempo, mas por muito mais tempo eu fiz a mesma coisa, me alimentei de alguém que agora vai ficar bravo pra sempre, com todas as relações que ele já teve.