Ser uma criadora de conteúdo profissional tem umas coisas...
Ainda mais tendo minha profissão.
Quase como se eu tivesse que escolher.
Hoje tava ansiosa porque coloquei um link, num link pra um site meu.
Parece que tudo bem, mas vai saber.
Nossas experiências mudam tanto o jeito que a gente vive.
Depois que eu perdi meu ganha pão sinto que piso em ovos.
Ao mesmo tempo que sinto que essa experiência foi essecial pro meu desenvolvimento como pessoa.
Geralmente aprender é muito mais importante e valioso que qualquer dinheiro, aprender é pra sempre, dinheiro tá sempre indo e vindo e se não tiver, você não sabe ter dinheiro.
Eu costumava não saber ter dinheiro.
Acumulando e acumulando e nunca comprando absolutamente nada do que eu queria.
Queria não, precisava.
Eu "não podia ser consumista".
Nunca investia em mim, como que qualquer coisa poderia dar certo?
Mas fui aprendendo.
Tive que perder todo o dinheiro que tinha acumulado pra aprender, porque dinheiro é uma energia e se você não gasta ele, ele se gasta sozinho.
E se gastou. Todas as minhas economias foram embora.
Antes mesmo d'eu perder meu instagram.
E quando as coisas estavam se ajeitando de novo BANG!
Minha conta excluída sem nenhuma explicação.
E lá vai gastar dinheiro sem ter com advogado.
Aprendizado.
Descobri esses dias que minha cabeça não aprende como a da maioria das pessoas. Mas aprende.
Essas tardes entre o inverno e a primavera, onde nem ela começou, nem ele foi embora, sempre tiveram um jeito especial de me fazer fantasiar sobre o passado, sobre ontem, dez anos atrás, vidas passadas, quando tudo parecia melhor e menos doloroso, mais onírico.
Provavelmente porque, apesar de acreditar que todos os tempos estão sendo vividos ao mesmo tempo, acredito também que a gente escolhe qual janela abrir pra dar uma olhada.
Não devia ter nada de errado comigo, mas sempre tem alguma coisa, o que significa que não é nada externo, eu decidi que faria da minha vida um inferno torturante e tenho feito nos últimos tempos, mas eu sei que isso é mutável, é possível ser feliz com certo grau de alienação, não precisa nem ser total, nem 50%, só a dose certa de egocentrismo e se apreciar o suficiente te levam a olhar algo absolutamente repulsivo sobre o mundo e pensar sim "nossa, que pena, que chocante", mas depois aquele sentimento não continua te assombrando, não te causa nenhuma ataque de pânico, depois da sua empatia ser acionada e você se sentir triste por compaixão, depois desses 10 segundos que aquele assunto te afetou, passa, você esquece.
Mas pra mim não passa nunca, pelo menos não tem passado.
Eu amo cozinhar, consequentemente, assistir programas aleatórios de culinária e, no trailer de um deles apareceu uma ave, viva, porém depenada, pronta pra ser morta e degustada.
Isso aconteceu há dois dias e eu já sonhei com essa imagem, às vezes transfigurada em outras mensagens de desespero, às vezes a ave realmente, várias vezes, algumas, não vezes demais, muitas vezes.
Acontece que eu não vou esquecer aquela ave, assim como não esqueci a primeira pomba que eu vi morrer atropelada, nunca vou esquecer o barulho que fez, de explosão, tinham mais 15 pessoas no ponto de ônibus e nenhuma delas se importou, de verdade.
Não por serem pessoas piores que eu, nenhuma delas era, mas por serem pessoas mais saudáveis, capazes de digerir traumas e seguir em frente.
Eu nunca vou esquecer o gatinho que eu vi envenenado na minha rua, não tinha mais vida no corpinho dele quando eu vi, não tinha mais nada, só um vasinho que um dia um gato habitou.
Eu não sei qual é o meu ponto com esse texto, parece que não adianta fazer sentido, porque nada de fato o detém, talvez as coisas só possam fazer sentido alguns segundos por vez e nesses segundos todo o resto do mundo precisa achar que você está louco. Talvez ver sentido em qualquer coisa seja mesmo a definição de loucura.
Eu sempre me desespero em tardes de Outubro e nas de outros meses também.
A tarde é mais difícil que a noite pra mim, porque nada que eu faça de tarde é suficiente, nada é bom, eu não consigo ser boa de tarde.
Ou de manhã, ou de noite, mas parece que eu só quero ser boa de tarde.
A tarde me obriga a confrontar o quanto eu não sou boa em nada.
E não estou fazendo nada para ser.
Eu finjo que escrevo ou que falo ou desenho, eu finjo cantar e aprender e fingindo o que me resta de vida me escorre pelas mãos e às vezes pelos olhos.
E viver pelos outros é possível, eu sou a prova existente que é. Mas dói.
E tudo em você reclama, sua dor é constante e física, você já nem reclama mais, parece fácil se entregar ao nada, mas o nada nunca é o nada, o nada é uma tortura assustadora, é não ter valor nenhum e nem querer ter e nem ver valor em nada.
Ficar assim tão perdido é ser um peso e um estorvo, porque todo mundo sabe o que você precisa fazer, mas você não faz, não faz porque não consegue, mas parece que é porque não quer.
E aí você passa a nem querer mesmo, cada vez menos, cada vez mais às vezes, até você não lembrar da sua última gargalhada sincera que não veio acompanhada de pavor e uma leve vontade de gritar.
Eu sei que os meus textos são parecidos com os que eu fiz quando eu tinha 15 anos, mas agora são menos autênticos e palatáveis porque a pessoa que escreve é outra e continua o mesmo tom, o mesmo medo, a mesma necessidade absurda de aprovação que me assola desde que eu me entendo por gente.
Deve ser exaustivo pra qualquer um, até pra quem vê de fora.
Imagina conviver com isso, imagina ser essa pessoa.
Espero que você não consiga nem imaginar e tenha uma vida bem mais feliz que essa e que a sua no dia de hoje e no de amanhã e assim sucessivamente.
Espero que a dor do mundo melhore pra ver se com ela melhora também a minha.
Oito e cinquenta e quatro da manhã de uma quinta-feira de verão, que pra minha alegria faz frio.
Os chuveiros estão queimados, a louça tá limpa, eu tenho aspirado a casa a cada dois ou três dias, mais ou menos, uma obra na frente do prédio, os pedreiros batem coisas, se xingam, britadeira e essa casa nem é minha.
É um lugar pra morar, confortável e bonito, mas não é minha casa.
Atualmente eu não tenho casa.
Moro aqui de favor, ninguém me obrigou, posso ficar com meu noivo e meus três gatos em paz, quase não tem efeitos colaterais, mas habitar uma casa que não é sua, pra mim, é como fingir uma personalidade, é possível, mas todo mundo vê que tem alguma coisa estranha.
Eu tenho muita liberdade aqui, considerando tudo, mas ainda assim, não é como se eu pudesse trocar os móveis e colocar espelhos por aí.
É difícil não se sentir em casa no lugar que você mora, nem sempre, mas às vezes é e eu fico perdida.
Eu sei o que eu deveria fazer, arrumar um emprego, conseguir um lugar, eu sei disso, mas é mais fácil falar que colocar em prática.
Eu tenho um monte de habilidades, muitas mesmo, mas poucos papéis que dizem que eu tenho essas habilidades, ou pior que isso (porque até tenho os papéis), poucos lugares que valorizam minhas habilidades.
Eu sei editar vídeos, sei escrever, me comunicar, produzir vídeos, eu sei fotografar, eu sou uma atriz bem decente, eu sei ouvir e aprendo muito, muito fácil.
Mas mais que isso eu sei que não sei nada, mesmo, sempre vai ter alguém que faz bem melhor, é mais bonito, mais magro, filho do dono, ou não, eu não sei por onde começar.
Eu mando os currículos já duvidando que vai dar em alguma coisa.
Eu mando currículos pra trabalhos que eu não quero porque estou desesperada.
Eu preciso de um espaço, eu preciso de dinheiro, eu preciso poder atender o telefone, ter um telefone, poder receber meus amigos sem constrangimento, poder chamar minha família pra ver meus gatos, eu preciso de uma liberdade que eu sempre tive e que sempre me salvou desse desespero.
A verdade é que eu tô velha demais pra essas crises, eu não tenho 18 anos e isso é mais angustiante ainda.
Eu vejo as pessoas perdidas e tristes, mas com emprego.
E não é a crise, é minha personalidade, eu não sirvo pros moldes desse mundo, ou sirvo e ainda não me encontrei.
Queria ajuda, mas não tenho mais idade pra pedir ajuda, não mais do que já recebo.
Eu realmente não sei o que fazer da minha vida, de verdade.
Esse foi um ótimo ano pra mim, abri meu estúdio de fotografia, trabalhei pra caramba, abri um outro estúdio de fotografia muito melhor e bem mais equipado, mudei três vezes, convivi com meu pai, meu avô, meu irmão, ganhei um padrasto, emagreci, enfim, fiz um monte de coisa maravilhosa, ótimas mesmo, mas...
Sabe quando fica aquele ~~mas~~?
Então...
No momento eu tô esperando sair o novo contrato da nossa publicidade, ou seja, sem divulgação, sem clientes, sem trabalho, sem dinheiro, mas não é como se isso fosse novidade pra mim, tenho 23 anos e meus trabalhos até então foram: teatro profissional, cinema profissional e fotografia OU SEJA, nunca fiz lá muito dinheiro, mas a espera, a sensação de inutilidade, a responsabilidade de ter gatinhos pra alimentar, o fato de não estar nem perto do meu peso normal, autoestima baixa, o Renas meio triste, milhares de bolinhas pelo corpo graças a uma maravilhosa dermatite de contato que eu peguei esses dias e, bem, tô me sentindo péssima.
Eu sei que é só esperar mais um pouco que a vida se ajeita, mas passar a tarde assistindo episódio repetidos de buying alasca ou revendo desenhos de quando eu era pequena e percebendo o quão misóginos e classistas eles são, não tá bem a vida mais alegre do mundo.
Tenho o Renan, tenho meus gatinhos, tenho minha família, não tenho amigos.
Não que não tenha de fato, mas eu tô me sentindo tão sozinha quanto as minhas amizades, eu acabava culpando meus amigos por terem se afastado, quando na real o problema sou eu mesma.
Pelo menos agora eu consigo ver isso, mas ultimamente não tenho sido uma boa companhia, sempre ansiosa, nervosa com a condição humana, sempre procurando defeito em tudo, discordando em voz alta de tudo que eu discordo e, sabe? Quem quer estar perto dessa pessoa?
Eu que não, eu que nunca.
Resolvi melhorar, mudar, me reinventar e toda essa cafonalha, porém dá trabalho, é cansativo, parece que eu nunca vou conseguir ou que estou traindo minha essência pra agradar os outros, mas a real é que eu preciso fazer isso por mim, essa minha angústia de esperar DE BOAS vendo tv e brincando com gatinhos na companhia do meu noivo é só um sintoma de que eu não tô me suportando.
Porque, sério, quem ia reclamar disso?
Pois é.
Eu sempre me senti frustrada porque logo que fiz meu canal no youtube (esse aqui) ele fez um super sucesso, digo, comparado ao que eu esperava que era zero visualizações ele chegou a ter 50 mil, 30 mil, 100 mil, pra mim isso é louco, louco demais!
Eu fiquei super feliz com a atenção e de repente não recebi mais, ninguém mais se interessava pelos meus vídeos, ninguém mais me achava interessante e isso foi me deixando mais triste e mais amarga ainda.
Há alguns meses eu decidi parar com o canal. Depois de CINCO ANOS me sentindo um lixo porque não sabia o que tava fazendo de errado.
Eu percebi que ninguém se interessava mais porque eu não era mais interessante, não era culpa do público, o público tava lá se eu quisesse voltar a ser alguém simpática e alegre que vê coisas boas e felizes na vida, mas eu não era mais essa pessoa e realmente quero voltar a ser.
É triste lembrar o quanto eu fazia meus amigos rirem antes e o quanto eu faço agora (no caso zero), mas eu sei que eu sou uma pessoa legal, que acabou se deixando levar pelo lado ruim das coisas, mas não é como se eu fosse essa pessoa, eu inclusive nem gosto dessa pessoa.
Enfim, quis desabafar e avisar que caso eu suma é só porque tô por aí tirando o peso do que pesa sem precisar, tentando ser a melhor pessoa que eu posso ser.
Tem sensação melhor no mundo do que se sentir útil?
Eu não conheço nenhuma, melhor coisa do mundo pra mim é ver a galera se beneficiando de alguma dica minha <3
Então vou tornar sua vida muito mais fácil e feliz e te apresentar os early works do of Montreal AEAEAE
of Montreal, pra quem não sabe, é uma banda linda, fofa, querida, que canta todos os estados de espírito possíveis e imagináveis de uma pessoa.
A real é que ela não é lá muito palatável, tem quem odeie a voz do Kevin Barnes, tem quem não tenha paciência pros instrumentais de 15 minutos, e tem quem seja completamente louca e apaixonada por tudo isso (euzinha), como qualquer outra banda no universo.
Então por que of Montreal?
Você conhece o last.fm?
Então.. clica nesse link e você descobrirá o meu perfil e o porquê da apresentação de oM.
Eu ouvi essa banda dos meus 11/12 anos até uns 19 TODOS OS DIAS DA MINHA VIDA.
Não ouve mais, Ferdi? Não, quase nada pra falar a verdade e ando me sentindo bem desconectada da minha essência ultimamente, eis que hoje fui passar aspirador na casa e coloquei o Hissing Fauna, are you the destroyer? pra tocar enquanto isso e, ah, tô me amando de novo.
Mas Ferdi, como uma banda que você ama pode ser útil pra mim?
Sinceramente? Não faça ideia, mas vai que eu e você somos parecidos e of Montreal desperta a sua melhor parte, né?
Não custa tentar haha
of Montreal é uma banda extremamente psicodélica, o vocalista e lider da banda se chama Kevin Barnes e ele tem uma parceria muito muito adorável.
Que parceria adorável é essa, Ferdi?
Bom, o ilustrador das capas do of Montreal é ninguém mais, ninguém menos que David Barnes, irmãozinho mais novo do vocalista!
Sério, como eu amo o universo Montreálico, hahaha
E como não bastasse a fofura de serem parceiros ainda EXISTE UMA MÚSICA QUE O KEVIN FEZ AGRADECENDO O DAVID PELA PARCERIA, desculpa o grito, é que eu amo demais gente que não tem medo de demonstrar amor e entusiasmo. Cê pode ouvir a música mais fofa da vida clicando aqui embaixo, é a primeira faixa do álbum:
Falando em demonstrar amor e entusiasmo, o show deles é uma coisa louca da vida, em 2013 fui num desses shows, estava bem mais preocupada em morrer de dançar e sorrir do que fotografar, mas dá pra ver um tico da loucura com essas fotos que eu tirei do show, ó:
Nesse dia conheci o Kevin e ele foi bem simpatico da primeira vez que conversamos, não teve nenhuma conversa life changing como eu queria que tivesse, mas ele foi atencioso e simpático, tanto quanto dá pra ser no meio de um festival, ó:
Acontece que
depois da primeira vez que nos vimos uma jornalista veio perguntar qual
banda me fez ter certeza que eu iria no festival e quando respondi of
Montreal ela se ofereceu pra chamar o Kevin e eu pensei ~~mas lógico,
vai que dessa vez ficamos tomando chá e conversando sobre a vida~~ muito
pelo contrário, quando ele viu que era eu de novo ele ficou
decepcionado porque se sentiu sem fãs no Brasil, ele falou:
- Ah, você de novo, oi, então eu tenho só uma fã no Brasil, hm...
E
embora eu saiba que o problema não fosse eu pessoalmente fiquei super
NOSSA DESCULPA SE ACHEI UMA BOA IDEIA TE VER DE NOVO PORQUE TE ACHO UMA
PESSOA LEGAL, DESCULPA AÍ CARA, VOU VIVER MINHA VIDA ENTÃO e foi aí que
eu fui parando de ouvir, tosco, né? Eu sei, mas tinha grandes
expectativas pra nossa amizade, já que, aparentemente somos a mesma
pessoa e passamos pelas mesmas situações, enfim.
Voltando a parceria David-Kevin, o David que fez essas fantasias do show, ele é responsável por boa parte da psicodelia, performances e do teatro que rola no palco, é muito bonito e interessantíssimo, além de casar perfeitamente com as músicas.
Além disso ele (o D) que ilustrou várias das capas do oM, olha só algumas delas:
Esse pra um EP
Esse é a capa do False Priest
Ilustração dos membros
Capa do Satanic panic in the attic
E uma das minhas prediletas, capa do Aldhils Arboretum
Uma coisa curiosa sobre oM é que o Kevin escreveu músicas completamente autobiográficas nos primeiros CDs e recebeu MUITAS críticas negativas, acusaram ele de ser egocêntricoe a partir daí ele começou a escrever músicas com personagens fictícios. Ficou ruim? Nenhum pouco, eu amo a fase ficcional, porém não era essa a vibe dele, nunca foi, o que ele curte é falar dos acontecimentos da vida dele mesmo, até porque ele é interessante o suficiente pra fazer isso e ser genial, mas ele só conseguiu voltar a escrever música autobriográfica depois de se casar com a Nina Twin, segundo o Kevin, se não fosse a Nina ele nunca teria a coragem necessária pra voltar a escrever o que ele queria (OBRIGADA, NINA).
Inclusive a Nina, assim como o David, é uma artista plástica genial, mas muito genial, incrível mesmo olha só algumas ilustrações dela:
Inclusive tanto a estética da Nina como a do David fazem um leve spoiler do que você vai escutar se der play em oM.
A Nina e o Kevin tiveram uma filha muito fofa e linda, a Alabee, olha só ela e o pai que coisinhas mais adoráveis:
Falar em fofura deles dois, tem uma música, essa aqui embaixo, que o Kevin escreveu pra Alabee:
O Kevin e a mãe da Alabee, Nina, foram casados até 2013, mas no meu coração eles vão ser casados pra sempre porque melhor casal, melhor família <3
Mas Ferdi, se é uma banda, por que você falou tanto do Kevin e não do oM em geral?
Porque a banda é o Kevin, ele fundou a banda sozinho, ele é multiinstrumentista então compunha e tocava todos os instrumentos. O primeiro CD foi lançado com mais dois músicos, um que saiu da banda há muito tempo e outro que foi pra bateria e, enfim, a banda está sempre sempre mudando, só continua a mesma por causa do Kevin, é a banda dele. Digo, isso é o que eu sinto, ele nunca falou nada parecido.
Falei que ia apresentar os early works e o Hissing Fauna é de 2007, o que significa que eles já tinham a banda há 11 anos quando lançaram, mas é sim uma boa maneira de começar; Agora se você, como eu, adora saber da trajetória e acompanhar a evolução musical da banda, aqui está o Cherry Peel, que é um amor de CD, uma coisinha lindinha demais e aí sim o primeiro CD que eles lançaram:
Subsequente ao Cherry Peel, eles lançaram o The Gay Parade, esse aqui:
Que é um amor de CD que fala sobre amar pessoas do mesmo sexo e as torturas físicas e psicológicas que pessoas homossexuais passam, só por serem homossexuais; mas também fala de amor, fala de beleza, fala da peculiaridade de ser quem a gente é sem nenhum medo, ai, é um álbum lindo demais, ouçam!
Eu poderia cobrir mais os outros 19 anos do bom sucesso que é essa banda fantástica, mas vou deixar assim, caso esse post tenha te feito ficar curiosa ou curioso deixa aqui nos comentários que em breve faço uma parte dois.
E quanto a mim, estou feliz demais por redescobrir oM e me sentir mais perto de mim mesma a partir disso!
E você, tem alguma banda que faz parte da sua vida de um jeito realmente grande e profundo e tal?
Conta pra mim aqui nos comentários, quem sabe eu não redescubro alguma outra coisa linda da vida?
Enfim, obrigada pela atenção!
Dos orgulhos das coisas que eu produzo por aí, vim mostrar umas fotografias prediletas.
Meu amor por fotos, gatos e foto de gatos.
Tenho duas câmeras profissionais 70D da Canon, amo as duas do fundo do meu coração, o nome da nossa primogênita é Telema, o nome da nossa caçulinha é Maçoila:
Graças as duas eu posso registrar os grandes amores da minha vida: Meus gatos.
Eu tenho quatro gatinhos, todos adotados, dois da rua, dois de um pet shop que estava doando, esses dois últimos são irmãozinhos gêmeos, Ron-Ron e Bau-au (os dois olhos do meio dessa foto de cima) e esses dois nenéns lindos aqui da foto de baixo:
E os outros dois, um menino e uma menina, menina que achei na frente da minha casa, toda mimosa, pequenininha que só, amorzinha da minha vida, batizada Cachorreira, os primeiros olhinhos da foto, minha laranjinha de zoinhos amarelos, minha eterna bebê, tenho ela há dois anos e desde que a adotei ela tem o mesmo tamanhinho fofo, amor da vida da mãe, essa princesa da foto de baixo:
Por último e não menos importante (e fora da ordem de adoção, aliás), meu meninão, o Iasser, batizado Iasseraracat, meu Red Point, melhor amigo, dorminhoco, gorduchinho, afofador de cabelo da mãe, amor eterno da minha vida, últimos olhos da foto, esse mimoso da foto de baixo:
Não conseguiria colocar tão pouca foto dos meus nenéns, então seguem algumas outras, deles, de coisinhas bonitas, da beleza da vida, da alegria que é fotografar e poder trabalhar com isso, da felicidade plena que eu sinto no coração e da certeza de amar muito o que eu faço.
Abraço, abraço, abraço, risada.
Vem uma imagem muito nítida na minha cabeça.
Pontos formando um triangulo, preto e branco. Aos poucos toma forma.
Vermelho. Azul. Roxo.
Risca, risca, risca, pega a maleta.
Tenho uma maleta especial pra ocasiões como essa.
"Vou lavar a louça, ok?"
"Que louça?"
"A da pia, é pouca mas tem"
"Ok" Ok. Ok. Ok.
Pó branco, pó vermelho, água, pó azul, roxo, roxo, roxo, preto, preto, risca, risca, tinta aqui, tinta ali.
O gato mia assustado.
Mais um, outro. Pulinho de susto.
"É a mamãe, filho"
Foge pra debaixo da mesa.
Prende assim, prende assado.
Tá pronto.
"Vira, rápido"
"AAAAAAAAAH"
"Sua mãe falou esses dias pra não dar mais susto nela"
Deixa eu pegar a câmera.
Longa exposição, tenta, tenta, tenta...
Nesses dias frios eu tenho um sentimento específico que quando eu tinha meus 15 anos costumava chamar de "nova york", era essa sensação de imparidade e invencibilidade em relação a vida e falava sobre o quanto eu me sentia diferente, incompreendida e desligada das coisas banais, é uma sensação artística, de estar dentro de um filme existencialista e que quando as pessoas assistem muda completamente a vida delas.
Era andar no frio até uma cafeteria e me sentir um personagem complexo de um filme interessante, com tudo de mal resolvido e uma desesperança muito característica, era saber das tristezas do mundo e sentir se afogando em todas elas, muito cinematográfico, muito distinto, muito adolescente.
Acontece que depois de quase 8 anos, nessa tarde fria de sexta-feira indiferente e cheia de cólica, essa sensação me revisita e eu me sinto nova york de novo.
Sentada na cama vendo o Renan aspirar a casa eu me sinto com 15 anos e me pego com a urgência de colocar fones de ouvido, um sobretudo e correr pra uma cafeteria escrever e desenhar o que é ser esse personagem de filme desesperado.
Acontece que eu sou bem diferente de mim mesma ao 15 anos e isso me dá uma angústia, como se eu tivesse mudado por medo de soar patética, como se tivesse me despido de mim mesma pra parecer mais socialmente aceitável.
Meu eu de 15 anos passava maquiagem teatral pra sair na rua sem medo de chamar atenção negativamente, eu realmente não me importava com críticas porque sabia que era completamente eu mesma, que não tinha me adaptado pra agradar quem quer que fosse e errada ou não, ridícula ou não eu era eu mesma.
Não sentia vergonha nunca.
É claro que a gente cresce, melhora, evoluí, mas eu sinto que tô cada vez mais distante de mim, menos Ferdi e mais Fernanda.
E eu detestaria ser Fernanda.
Hoje em dia não sou tão mal resolvida, tenho ideia do que quero da vida e sentimentalmente sou bem menos vazia, mas quero minha excentricidade de volta.
Quero maquiagem louca porque sim, renovar meu armário de fantasias e achar sempre que estou num filme muito profundo ou numa sitcom engraçadíssima.
Eu não sou uma pessoa popular e acho que comecei a querer ser, o que foi me distanciando cada vez mais da minha essência que é: ser aquela amiga estranha que algumas pessoas amam e outras acham super forçada, mas que tá sempre sendo honesta consigo e suas vontades.
A minha no momento é escrever no blog, jantar, desenhar de canetinha e depois ir dar uma volta, com uma roupa bem quentinha, pra olhar o frio viver.
Acho uma das coisas mais poéticas do mundo ver o frio viver.
Fazia anos que eu não usava a expressão "poética" a sério, que pena que eu tive que me sujeitar a tanta coisa que me fez me levar a sério o suficiente pra achar que a expressão "poética" é indigna de mim, é muito vergonhosa.
Espero sempre perceber que esse novo eu crítico é bom pra algumas coisas, mas para as inofensivas: Deixe as pessoas serem ridículas, Fernanda.
Seja mais ridícula, tenha menos vergonha e crítica pra tudo.
Outra expressão que uso pra julgar as pessoas que usam, mas vai acabar fechando o meu texto and I'm not even sorry: mais amor, por favor.