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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Ser eu mesma.

Mas o que é ser eu? Como que eu vou saber?
O eu é o que sobra quando acaba o medo.
O medo de se olhar, o medo da rejeição e da insuficiência.
O medo da solidão.

É solitário ser você, porque pra isso é necessário abdicar do que você construiu na sua mente sobre você, da identidade que você projetou pra ser amado.
E nem todo mundo consegue ou quer.
E quando as pessoas não são elas e você é, elas se sentem expostas, vulneráveis.
E ninguém gosta de se sentir vulnerável.

Não é nem consciente, só bate aquele sentimento de inquietação.
E eu só sei disso porque passei anos me deparando com essas pessoas que ousavam ser elas mesmas e era extremamente desconfortante.

É tipo como as pessoas se sentem quando elas descobrem que eu sou vegana.
"Você acha que você é melhor que eu?". Nem acho, não acho nada.
"Quem você pensa que é pra não precisar se esconder?".
Eu morria de medo de ser abandonada pelas pessoas que eu amava, mesmo no fundo, no fundo sabendo que elas não me amavam de volta.

Uma vez essa pessoa que era importante pra mim me confrontou por ter escrito uma carta.
Uma carta que eu nunca escrevi.
Ele não acreditou em mim quando eu falei que não tinha escrito e na época eu fiquei ofendida, pensava "eu não minto". E a verdade é que não mentia mesmo, não sobre nada, mas mentia o tempo todo sobre quem eu era.

O que eu queria.
O que eu sentia.
O que me incomodava.
Meus medos, minhas vontades.
Eu só queria ser amada.
É o que a maioria de nós quer.

Mas o engraçado é que o amor que a gente recebe nunca é o "que a gente queria".
Se sua mãe te ama "ah, mas porque ela é minha mãe".
Ignorando a sorte que é ter uma mãe que te ama.

Se seu avô te ama "ah, mas ele é obrigado".
E ninguém é obrigado a amar ninguém.
E mesmo que fossemos obrigados por lei, amor não é algo que se escolhe.
A gente só ama.

Amar nos faz reféns.

Acabei de ler um texto em que aparentemente meu avô estava bravo comigo e fiquei muito confusa, porque não lembro do meu avô bravo comigo.
Mas se eu escrevi é porque aconteceu, eu sempre reconheço meus textos autobiográficos.
E aparentemente ele ficou, mas agora não está mais.

Tenho passado bastante tempo com meu vô e meu pai. Tem sido muito bom.

Eu parei de desejar ser amada por quem não me ama, me agarro a todo o amor que recebo e tento deixar sempre claro o quanto sou grata e amo de volta.

Sofrer é uma filosofia de vida, filosofia ruim. 
Não é opcional quando a gente ainda é jovem e confuso, mas com o tempo se torna uma opção.

E eu realmente cansei de sofrer por bobagem.
A vida já tem baixos demais pra eu ficar inventando moda.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Organização

Dia de organizar as coisas por aqui.
Colocar tudo em ordem na vida imaginária.
Atrás da tela.

Ser uma criadora de conteúdo profissional tem umas coisas...

Ainda mais tendo minha profissão.
Quase como se eu tivesse que escolher.

Hoje tava ansiosa porque coloquei um link, num link pra um site meu.

Parece que tudo bem, mas vai saber.

Nossas experiências mudam tanto o jeito que a gente vive.
Depois que eu perdi meu ganha pão sinto que piso em ovos.
Ao mesmo tempo que sinto que essa experiência foi essecial pro meu desenvolvimento como pessoa.
Geralmente aprender é muito mais importante e valioso que qualquer dinheiro, aprender é pra sempre, dinheiro tá sempre indo e vindo e se não tiver, você não sabe ter dinheiro.

Eu costumava não saber ter dinheiro.
Acumulando e acumulando e nunca comprando absolutamente nada do que eu queria.
Queria não, precisava.
Eu "não podia ser consumista".

Nunca investia em mim, como que qualquer coisa poderia dar certo?

Mas fui aprendendo.

Tive que perder todo o dinheiro que tinha acumulado pra aprender, porque dinheiro é uma energia e se você não gasta ele, ele se gasta sozinho.
E se gastou. Todas as minhas economias foram embora.
Antes mesmo d'eu perder meu instagram.

E quando as coisas estavam se ajeitando de novo BANG!

Minha conta excluída sem nenhuma explicação.
E lá vai gastar dinheiro sem ter com advogado.

Aprendizado.

Descobri esses dias que minha cabeça não aprende como a da maioria das pessoas. Mas aprende.
Aprender é pra sempre.


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Insistir

Qual foi a última vez que você insistiu em algo que você não é bom em?
Qual foi a última vez que você passou vergonha por isso?
A vergonha é o preço da excelência.
É muito difícil ser excelente sem insistir.
Você pode ser bom, um talento natural, mas só fica excelente quem não desiste quando fica difícil.
Eu demorei muito anos pra aprender essa lição, mas agora não levo mais pro pessoal.
Costumava fugir de tudo que eu não era boa em de primeira.
O que torna a vida de alguém muito limitada e tira a graça de tudo.
Imagina não ter que tentar e tentar de novo até finalmente ter aquela sensação maravilhosa de que você pode contar com você, com sua persistência e inteligência?
Não é fácil entender que quanto mais fácil menos satisfatório.
Parece contraintuitivo. Errado.
E ninguém aqui tá falando de dificuldades intransponíveis.
Mas receber tudo de mão beijada te faz despreparado.
Porque a vida é linda e doce, mas não é fácil.
É complexa e cheia de nuances.

E alguém que só faz o que é bom em, é alguém totalmente despreparado pra lidar com ela.


sábado, 13 de outubro de 2018

Perdoar.

Há alguns anos atrás, quando meu maior interesse depois de artes era religião e não política, fiz um curso sobre os Kahunas do Hawaii.
Nesse curso aprendi muita coisa genial e curiosa, muita coisa que me ajudou a questionar e a me curar, dentre elas essa oração que se chamava "oração Kahuna do perdão", foi traduzida pelo maior estudioso da língua Havaiana e dos Kahunas.
A oração era essa e durante todo o processo que me permitiu me desvencilhar de um relacionamento terrivelmente abusivo eu fiz a oração.
Há na maioria das religiões um segredo na crença que qualquer comportamento que você reproduza por 21 dias consecutivos vira um hábito.
Seja comer bem, se exercitar, rezar ou se perdoar.
Então por diversas vezes eu começava a oração e no décimo dia parava, esquecia, dormia em outro lugar. Começava de novo e assim ia indo.
Até que eventualmente eu concluí a oração e percebi que o perdão que a oração por vezes coloca como sendo vindo de você e indo em direção ao outro, na verdade é todo direcionado a si.
Pelas más escolhas que mantiveram pessoas que te prejudicaram por perto, por toda a raiva e mágoa que você já sentiu, por todo pensamento horrível ou sensação de superioridade.
Essa oração é uma das muitas formas que uma vez eu encontrei de me perdoar.
E eu não tô falando de milagres religiosos e sim da percepção que o seu cérebro tem sobre ele mesmo quando a gente decide parar de se odiar e resolve gastar tempo tentando ser uma pessoa melhor.
Eu recomendo pra qualquer pessoa do mundo tentar se amar mais, mas não faço o mesmo comigo.
Cada vez que me olho no espelho me julgo tanto e com tamanha crueldade que sinto medo pelo que eu posso vir a pensar de outras pessoas.
Como espalhar amor sendo um vaso vazio dele?
Todo dia eu me xingo das piores coisas: fraca, covarde, vazia, preguiçosa, nojenta, fracassada, burra e essas são só as coisas possíveis de publicar.
Critico meu cabelo, minhas roupas, meu corpo, detesto meu papo e meu braços moles, detesto tudo com tamanha maldade que não sei como continuo acordando todos os dias só pra me odiar de novo.
Nessas de sentir ódio de si é muito fácil sentir ódio dos outros, então eu tenho sempre essa linguinha ferina pronta pra atacar qualquer um que me faça lembrar dos meus fracassos e incapacidades, qualquer um melhor que eu e quando você se odeia todo mundo é melhor que você.
Eu uso minha própria história pra me sentir pequena, diminuída, menos merecedora de amor e oportunidades, eu uso minha história passada pra justificar ser refém e vítima de mim no presente.
"Como que alguém sem educação que não se esforçou o suficiente na escola ia ser alguma coisa hoje em dia?"
"Você conseguiu algum apoio e reconhecimento quando fazia os vídeos só porque na época estava mais dentro do padrão e os caras queriam te comer"
"Nada do que você fez tem valor e seus pais não te amam porque não existe nada amável em você"
"Seus pais não te amaram desde que você nasceu porque você é detestável e hoje em dia virou essa merda porque não tinha como ser melhor"
O relacionamento mais cruel e abusivo que eu já vivi é comigo.
Eu não consigo me deixar em paz um minuto e por não me deixar em paz é difícil florescer e crescer e ser melhor, mais esperta, descobrir um ofício possível, me amar, amar as pessoas ao meu redor, tentar deixar o mundo melhor com a minha presença, tudo fica muito difícil.
E eu já fui outras pessoas, já me amei muito então eu sei que é possível. Daí eu lembrei dessa oração.
Lembrei da Jane Fonda me incentivando a cuidar do meu cérebro primeiramente e exercícios são um ótimo jeito de fazer isso.
Lembrei dos mantras, dos livros, dos meus gatos, lembrei que tem algo ou alguém aqui dentro desse vaso que merece sim ser amado e respeitado, principalmente por ele mesmo.
E agora que eu lembrei eu não quero esquecer, mas parece que toda semana eu lembro e ainda assim continuo a reproduzir maldade e machismo comigo, principalmente.
Mas tudo isso vaza, pra desconstruir tudo que há de pior em mim, eu preciso parar de achar que eu sou tudo que há de pior.
Não desejo o mal de ninguém e amo muito fácil, ainda assim não consigo me amar.
Em crises eu já tentei transferir esse ódio que sentia de mim pra uma outra vlogger, que brigou comigo uma vez, uma ex namorada do meu atual companheiro, já me concentrei nesses dois ódios, contra mulheres, porque talvez eu reconhecesse alguma semelhança entre nós e o machismo, a sociedade patriarcal, me ensinou que tá ok odiar outra mulher, é normal, a gente é louca mesmo.
No auge dos meus estudos feministas eu compartimentalizava toda minha intelectualidade e ia atacar outra mulher "ah, mas ela é machista, um desfavor como mulher, só fala merda", nada, nada, nada, nada no mundo justifica alguém estudar sobre feminismo ao mesmo tempo que agride outras mulheres, só demonstra o quanto você não entendeu nada do que leu e provavelmente só o fez por motivos egoístas, por superioridade moral... a verdade é que enquanto fazia isso, nunca fui mais miserável e triste.
Xingava a moça e me sentia o pior dos piores lixos do mundo.
Me comparava com ela e queria vencer, vencer o quê?
Como se vence da existência de outra pessoa que (na minha crença pessoal) é só um pedaço de você.
A mesma entidade infinita tendo milhares de experiências pra se conhecer melhor.
Odiar é como se apunhalar no coração e esperar que o outro sinta a dor.
Nunca foi sobre outra pessoa e ainda assim me senti no direito de infernizar um terceiro, que tristeza e baixeza.
Por essas e outras atrocidades que cometi preciso me perdoar.
Por toda vez que meu companheiro me chama de linda e eu respondo, quase que automaticamente, com um "feia".
Por toda vez que eu olho com nojo pro meu peito porque ele é caído, ou com raiva da minha barriga porque ela tem estrias, toda vez que eu debocho mentalmente de outra menina gorda que tem a coragem de se amar, mesmo que por um milésimo de segundo, mesmo que eu reprima o pensamento em seguida, ninguém nunca e em hipótese alguma deveria ser julgado por se amar, se aceitar, se entender. Isso sim é inveja.
Ver alguém que se ama e não poder dizer o mesmo de si é o primeiro passo pra maldade, pra experimentar sua pior versão possível.
Eu me sinto tão malvada que ontem assisti uma série e falavam sobre miojo na cadeia, hoje me peguei pensando "será que na cadeia do Brasil tem miojo de tomate da Turma da Mônica?", porque o que eu faço comigo mesma, se fizesse com outra pessoa, seria crime inafiançável.
Felizmente pra mim ser desajustado psicologicamente ainda não é crime perante o estado, mas moralmente não deixa de ser.


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Midencounter.

Espera. Espera. Espera.
Acordei de um sobressalto.
"Chamada a cobrar para aceitá-la continue na linha após a identificação turu, ru".
Quem eu imaginava.
Andarilho só, no meio de um turbilhão de dores e solidões.

Jaz aqui o primeiro não em anos. Anos difíceis, anos felizes.
Anos de montanha russa.
O primeiro não porque depois da sua volta é triste ficar sem você, sem meu amigo.
Os olhos dele parecem de gato, agora que ele está tão fino e ocupando tão pouco espaço, você olha pro rosto dele e tem só aqueles olhos enormes.
"Isso significa que você vai pra casa dele?"
"Não, só deus sabe".
E eu acho que nem deus sabe, esse é o tanto que eu acho que nessa situação ninguém sabe de nada.
Minha cabeça começa a inventar desculpas e a tentar justificar.
É difícil falar não, mas às vezes é melhor, qual delas eu não sei, sei que falei não e não foi, vai saber por mais quanto tempo.
Provavelmente alguns dias, talvez mais.
Sei lá, eu não sei de nada.
Sinceramente.
Minha mente tem vivido em uma neblina constante, tentando se agarrar a alguns conceitos, ideias, conselhos, tentando entender alguma coisa, desistindo bastante, querendo dormir e por lá ficar.
Ele tem uma maneira muito específica de me desconcertar "eu fiz tudo por você e você tá me expulsando, me deixando sozinho, você é quem está me abandonando agora".
Eu não posso legitimar você largando tudo.
Deve estar sendo tão pior pra você do que eu imagino. Com certeza está.
Mas eu não posso dar um ok pra você não se cuidar, largar de mão de vez seu bem estar e sua vida.
E a vida dele e de tanta gente que você afeta que eu nem entendo como você se sente tão pouco amado e compreendido.
Tudo, tudo, tudo, tudo por anos girando ao seu redor.
Meus passatempos, interesses e amigos, como eu ocupava meu tempo, tudo ligado a você, pra tentar te agradar e ter um convívio feliz com você.
Eu fui crescendo e com isso copiando sua rebeldia, você tinha me ensinado essa parte.
Tive que conhecer outra pessoa parecida pra lembrar que você era bom de estar perto.
Mas ninguém sabe de nada, ninguém que não viveu exatamente tudo que eu vivi pode compreender, por mais que ache que entendeu, é impossível, porque metamorfo.
Eu comecei o dia ouvindo sua voz magoada e acusatória.
Um, dois, três, quatro rounds.
Depois você me deu uma falsa esperança só pra olhar de novo e me dizer que "só deus sabe".
Ninguém sabe de nada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Conforto familiar.

O conforto de um velório é um paradoxo.
É um paradoxo porque pra estar num velório, antes algo horrível tem que ter acontecido.
O coração de todo mundo tá apertado, dolorido, sangrando, mas ao mesmo tempo todo mundo que você conheceu durante a sua vida inteira, todo parente e amigo, alguns rostos familiares que o nome você não lembra, mas que você sabe que divide gens com você ou que são importantes pra alguém que divide seus gens ou apoiam alguém da sua rede de conforto, está ali, prestando uma última homenagem, oferecendo o conforto que puder compartilhar.
Hoje, no velório do meu tio, eu fiquei pensando em como eu juntaria todas aquelas pessoas sem um funeral e minha conclusão foi que provavelmente eu não conseguiria, não todas elas.
Claro que meu tio era muito amado e nem todo velório é tão cheio, mas ver todo mundo ali do meu lado me confortou de uma maneira que nenhuma celebração confortaria.
Todas as horas que passamos velando o corpo dessa pessoa, toda conversa que eu pude ter com pessoas que eu não via há muito tempo e mesmo com pessoas que eu vi ontem mesmo, foi de certa forma o melhor remédio que eu poderia pedir pra minha alma.
Família é importante.
É nosso porto seguro, mesmo discordando, mesmo brigando, mesmo assim, cada abraço, cada conforto, cada calor humano que compartilharam comigo, fez meu coração sarar.

Praticamente toda minha família por parte de mãe compareceu ao velório do meu tio por parte de pai.
E a recíproca é verdadeira, quando perdi um tio por parte de mãe, também graças a violência, boa parte da minha família por parte de pai compareceu ao velório.
Eu dei sorte dos dois lados e eu entendo que isso é raro e um incrível privilégio.

As pessoas que me cercam carregam amor em seus corações e talvez seja por isso que eu me cobre tanto, que eu me ache tão insuficiente, os padrões são elevados, ainda bem.
Eu agradeço muito ao universo por ter tanta gente que se eu precisar, de verdade, vem correndo pra me ajudar.

Em tempos de polarização política e ânimos exaltadíssimos poder amar apesar das contradições e do perigo a democracia é um privilégio.
Andar por aquele cemitério vertical, diferente, não parece muito um cemitério, são gavetas, gavetas que carregam histórias inteiras, andar por ali me faz sempre pensar sobre quão fácil e banal é uma vida acabar.

Todos os dias milhares de pessoas deixam de existir. Ou pelo menos deixam de existir pra gente.
Milhares. E todas elas fazem pelo menos uma pessoa chorar.

Agradeço a cada pessoa que compareceu e me ofereceu um abraço, fez toda diferença.
Sou grata de todo coração.
E que o universo receba meu tio em festa!
Um tiquinho bem pequeno da minha amada família.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Lacerações.

O constrangimento que a gente sente quando um relacionamento de muitos anos acaba é tão tolo quanto engraçado.
É como se a gente tivesse sido estúpido, burro, como se a gente tivesse perdido nosso tempo, mas a verdade é que tudo são experiências.
Por mais que doa, por mais que você tivesse como entender antes, talvez o entender depois seja parte de alguma coisa que o seu subconsciente precisava pra aprender, ou talvez esse seja só um jeito da gente se sentir menos usada.
De perder um relacionamento assim o que mais me magoa é a perda do amigo.
A pessoa que você pensava que podia contar com, que estava ali pra você e principalmente, queria o seu bem.
Quando você descobre que essa pessoa não vai mais estar lá pra te contar uma piada ou te fazer uma janta.
E você também cometeu erros, muitos erros, mas nenhum de propósito.

Você é só o espectador de um filme triste que não acaba nunca.
A parte mais difícil talvez seja abandonar a esperança de que vai melhorar, você sempre achou que ia e fantasiou com dias melhores que agora você tem certeza que nunca vão existir.

É como se algo morresse, dentro e fora de você.
E ao mesmo tempo que é terrível, você se acostumou com coisas terríveis então é só mais um dia.

Você não reconhece seu reflexo no espelho porque ele não está mais ali, o que você vê é um fantasma dos seus sonhos mortos e de tudo que você deixou pra traz.
Perder os sentidos estando consciente é perder a esperança.
Ela não é bem a última que morre, quem morre por último é você, vazio, sabendo que vai ter que se reconstruir e nunca mais vai ser igual.
Dizem que na China quando uma porcelana se quebra ela é restaurada com ouro, pra que as cicatrizes dela a tornem mais bonita.
Não acontece o mesmo com um coração.
Cada calo, cada bolha, cada corte e rachadura ficam lá, latejando muito no começo, depois vai melhorando e melhorando, mas nunca de fato vai embora, se torna uma parte do que você é para sempre.
O seu futuro alterado pelas suas lacerações.
Às vezes, eu me pergunto se existe alguém que passou pela vida e só experimentou o melhor dela.
Foi amada incondicionalmente pelos pais, foi educada, teve amigos, aprendeu, conheceu o mundo, fez o mundo um lugar melhor e morreu sem nenhum trauma.
Espero que sim.
Mas acho que não.
Talvez porque ser um humano seja isso, morrer diversas vezes ao longo da vida e ainda assim tentar cultivar o que tem de bom dentro da gente.
Mesmo machucado, saber que a gente aguenta, a gente é forte.
E quando a gente de fato não aguentar mais: paz. Pra sempre.
Ou qualquer outra coisa, talvez ainda mais cruel.
Mas isso é uma preocupação pra quando não tiver mais nada pra restaurar, por enquanto, os cacos ainda não são pó.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Coisas pequenas e Grandes.

Minhas memórias de alegria são todas falsas, todas fantasiosas.
Agora dos abusos eu me lembro bem.
Físico, mental, psicológico, desde que eu me entendo por gente.
Coisas pequenas e coisas gigantes.
Tirarem meu prato da minha frente porque eu já comi demais e ter meu primeiro beijo roubado por um tio-avô que eu odiava e isso é só o que eu lembro.
Coisas pequenas e coisas grandes.
Passar maquiagem na adolescência pra tentar me enquadrar e ouvir que eu parecia um palhaço ridículo e ter minha virgindade roubada por um homem cinco anos mais velho que não me perguntou se eu queria.
Coisas pequenas e grandes.
Ser obrigada a limpar uma sujeira que eu não fiz e depois mesmo assim apanhar de um adulto porque a vida dele não era fácil.
Várias cicatrizes.
Mas eu que sou dramática, eu sou atriz, o drama tá no meu sangue, sabe como é...
E essa história de depressão é falta de trabalho, não o contrario, você só quer se matar porque não faz nada de útil, não produz nada (diferente de nós que produzimos - lixo - e somos cidadãos exemplares - de uma sociedade doente).
Eu sempre achei que confiavam em mim quando, na verdade, não queriam nem que eu estivesse ali.
Minha criação foi eu tentando entender o que era certo ou errado e tendo que lidar com cargas e pesos que eu nem entendia.
Que dramática!
"A Fernanda fala cada coisa, né? Xinga todo mundo e sai chorando, é um absurdo, não tem limites".
E o meu valor sempre atribuído a minha aparência, desde os cinco anos eu não sou adequada o suficiente porque "um rosto tão lindo... mas gorda".
Nada, nada, nada.
Nada.
Porque eu sou mulher e como vou ter valor se não me valorizar?
Porque não era um sintoma o meu descontrole alimentar, lógico que não, a Fernanda é dramática.
E tá sempre fazendo tudo errado. Ninguém ensinou direito o que era certo.
Bem feito pra mim.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

I'm not quite sure what we're supposed to do

Oito e cinquenta e quatro da manhã de uma quinta-feira de verão, que pra minha alegria faz frio.
Os chuveiros estão queimados, a louça tá limpa, eu tenho aspirado a casa a cada dois ou três dias, mais ou menos, uma obra na frente do prédio, os pedreiros batem coisas, se xingam, britadeira e essa casa nem é minha.

É um lugar pra morar, confortável e bonito, mas não é minha casa.
Atualmente eu não tenho casa.
Moro aqui de favor, ninguém me obrigou, posso ficar com meu noivo e meus três gatos em paz, quase não tem efeitos colaterais, mas habitar uma casa que não é sua, pra mim, é como fingir uma personalidade, é possível, mas todo mundo vê que tem alguma coisa estranha.

Eu tenho muita liberdade aqui, considerando tudo, mas ainda assim, não é como se eu pudesse trocar os móveis e colocar espelhos por aí.
É difícil não se sentir em casa no lugar que você mora, nem sempre, mas às vezes é e eu fico perdida.
Eu sei o que eu deveria fazer, arrumar um emprego, conseguir um lugar, eu sei disso, mas é mais fácil falar que colocar em prática.

Eu tenho um monte de habilidades, muitas mesmo, mas poucos papéis que dizem que eu tenho essas habilidades, ou pior que isso (porque até tenho os papéis), poucos lugares que valorizam minhas habilidades.

Eu sei editar vídeos, sei escrever, me comunicar, produzir vídeos, eu sei fotografar, eu sou uma atriz bem decente, eu sei ouvir e aprendo muito, muito fácil.
Mas mais que isso eu sei que não sei nada, mesmo, sempre vai ter alguém que faz bem melhor, é mais bonito, mais magro, filho do dono, ou não, eu não sei por onde começar.
Eu mando os currículos já duvidando que vai dar em alguma coisa.
Eu mando currículos pra trabalhos que eu não quero porque estou desesperada.

Eu preciso de um espaço, eu preciso de dinheiro, eu preciso poder atender o telefone, ter um telefone, poder receber meus amigos sem constrangimento, poder chamar minha família pra ver meus gatos, eu preciso de uma liberdade que eu sempre tive e que sempre me salvou desse desespero.
A verdade é que eu tô velha demais pra essas crises, eu não tenho 18 anos e isso é mais angustiante ainda.

Eu vejo as pessoas perdidas e tristes, mas com emprego. 
E não é a crise, é minha personalidade, eu não sirvo pros moldes desse mundo, ou sirvo e ainda não me encontrei.
Queria ajuda, mas não tenho mais idade pra pedir ajuda, não mais do que já recebo.
Eu realmente não sei o que fazer da minha vida, de verdade.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Motivacional (ou o contrário)

Esse foi um ótimo ano pra mim, abri meu estúdio de fotografia, trabalhei pra caramba, abri um outro estúdio de fotografia muito melhor e bem mais equipado, mudei três vezes, convivi com meu pai, meu avô, meu irmão, ganhei um padrasto, emagreci, enfim, fiz um monte de coisa maravilhosa, ótimas mesmo, mas...
Sabe quando fica aquele ~~mas~~?
Então...
No momento eu tô esperando sair o novo contrato da nossa publicidade, ou seja, sem divulgação, sem clientes, sem trabalho, sem dinheiro, mas não é como se isso fosse novidade pra mim, tenho 23 anos e meus trabalhos até então foram: teatro profissional, cinema profissional e fotografia OU SEJA, nunca fiz lá muito dinheiro, mas a espera, a sensação de inutilidade, a responsabilidade de ter gatinhos pra alimentar, o fato de não estar nem perto do meu peso normal, autoestima baixa, o Renas meio triste,  milhares de bolinhas pelo corpo graças a uma maravilhosa dermatite de contato que eu peguei esses dias e, bem, tô me sentindo péssima.
Eu sei que é só esperar mais um pouco que a vida se ajeita, mas passar a tarde assistindo episódio repetidos de buying alasca ou revendo desenhos de quando eu era pequena e percebendo o quão misóginos e classistas eles são, não tá bem a vida mais alegre do mundo.
Tenho o Renan, tenho meus gatinhos, tenho minha família, não tenho amigos.
Não que não tenha de fato, mas eu tô me sentindo tão sozinha quanto as minhas amizades, eu acabava culpando meus amigos por terem se afastado, quando na real o problema sou eu mesma.
Pelo menos agora eu consigo ver isso, mas ultimamente não tenho sido uma boa companhia, sempre ansiosa, nervosa com a condição humana, sempre procurando defeito em tudo, discordando em voz alta de tudo que eu discordo e, sabe? Quem quer estar perto dessa pessoa?
Eu que não, eu que nunca.
Resolvi melhorar, mudar, me reinventar e toda essa cafonalha, porém dá trabalho, é cansativo, parece que eu nunca vou conseguir ou que estou traindo minha essência pra agradar os outros, mas a real é que eu preciso fazer isso por mim, essa minha angústia de esperar DE BOAS vendo tv e brincando com gatinhos na companhia do meu noivo é só um sintoma de que eu não tô me suportando.
Porque, sério, quem ia reclamar disso?
Pois é.
Eu sempre me senti frustrada porque logo que fiz meu canal no youtube (esse aqui) ele fez um super sucesso, digo, comparado ao que eu esperava que era zero visualizações ele chegou a ter 50 mil, 30 mil, 100 mil, pra mim isso é louco, louco demais! 
Eu fiquei super feliz com a atenção e de repente não recebi mais, ninguém mais se interessava pelos meus vídeos, ninguém mais me achava interessante e isso foi me deixando mais triste e mais amarga ainda.

Há alguns meses eu decidi parar com o canal. Depois de CINCO ANOS me sentindo um lixo porque não sabia o que tava fazendo de errado.
Eu percebi que ninguém se interessava mais porque eu não era mais interessante, não era culpa do público, o público tava lá se eu quisesse voltar a ser alguém simpática e alegre que vê coisas boas e felizes na vida, mas eu não era mais essa pessoa e realmente quero voltar a ser.

É triste lembrar o quanto eu fazia meus amigos rirem antes e o quanto eu faço agora (no caso zero), mas eu sei que eu sou uma pessoa legal, que acabou se deixando levar pelo lado ruim das coisas, mas não é como se eu fosse essa pessoa, eu inclusive nem gosto dessa pessoa.
Enfim, quis desabafar e avisar que caso eu suma é só porque tô por aí tirando o peso do que pesa sem precisar, tentando ser a melhor pessoa que eu posso ser.

Beijo, beijo,


domingo, 23 de agosto de 2015

Obi la sei lá

Eu tinha um blog chamado Minha Janela Aberta eu gostava muito muito muito dele, mas sei que nunca mais vou conseguir acessar.
Ele continua lá no lugar de sempre, mas nunca mais vai ter nenhuma atualização e só porque o Google resolveu tornar impossível a recuperação da minha senha. 
Isso me deprime um pouco, mas ao mesmo tempo não é como se fosse algum coisa realmente importante. (Edit: Era tão importante que eu consegui reaver meu blog).

Eu fico lembrando do blog que tinha antes do minha janela, chamava Meus Sinais e eu amava muitíssimo também, escrevia nele desde os meus 12 anos e sempre que relia não sentia vergonha, só me achava uma gracinha, um dia entrei e nenhum dos meus textos estava mais lá, mais de 400 textos de quando eu era super criança que eu nunca mais vou poder ler. Isso também me entristece. Enfim, enfim...

Tem uma música do Belle & Sebastian onde o eu lírico diz que sempre chora em finais, em términos e perder um blog é tipo um término, é triste, eles são nossos amigos dependendo de como a gente interage com eles.
Eu tinha um vlog, tive dos meus 18 aos meus 23 anos, mas decidi que era hora de me despedir desse meu amigo, o nome dele era Kiwii I Ate You e eu não sei direito porquê.
Queria ser útil uma vez na vida na internet, meus blogs e vlogs nunca foram uteis pra ninguém além de mim, era sempre muito terapeutico, mas nunca ajudou ninguém, queria ajudar pessoas, não precisava ser de um jeito significativo, mas queria que uma vez na vida as pessoas entrassem no meu (no caso canal) espaço e falassem:  
- Nossa, sorte que a Ferdi fez isso aqui.


Agora uma imagem nada a ver do meu irmão quando ele ainda era filhote:


Beijo, beijo,

 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Lembrar de mim

Nesses dias frios eu tenho um sentimento específico que quando eu tinha meus 15 anos costumava chamar de "nova york", era essa sensação de imparidade e invencibilidade em relação a vida e falava sobre o quanto eu me sentia diferente, incompreendida e desligada das coisas banais, é uma sensação artística, de estar dentro de um filme existencialista e que quando as pessoas assistem muda completamente a vida delas.
Era andar no frio até uma cafeteria e me sentir um personagem complexo de um filme interessante, com tudo de mal resolvido e uma desesperança muito característica, era saber das tristezas do mundo e sentir se afogando em todas elas, muito cinematográfico, muito distinto, muito adolescente.
Acontece que depois de quase 8 anos, nessa tarde fria de sexta-feira indiferente e cheia de cólica, essa sensação me revisita e eu me sinto nova york de novo. 
Sentada na cama vendo o Renan aspirar a casa eu me sinto com 15 anos e me pego com a urgência de colocar fones de ouvido, um sobretudo e correr pra uma cafeteria escrever e desenhar o que é ser esse personagem de filme desesperado. 
Acontece que eu sou bem diferente de mim mesma ao 15 anos e isso me dá uma angústia, como se eu tivesse mudado por medo de soar patética, como se tivesse me despido de mim mesma pra parecer mais socialmente aceitável. 
Meu eu de 15 anos passava maquiagem teatral pra sair na rua sem medo de chamar atenção negativamente, eu realmente não me importava com críticas porque sabia que era completamente eu mesma, que não tinha me adaptado pra agradar quem quer que fosse e errada ou não, ridícula ou não eu era eu mesma. 
Não sentia vergonha nunca. 
É claro que a gente cresce, melhora, evoluí, mas eu sinto que tô cada vez mais distante de mim, menos Ferdi e mais Fernanda. 
E eu detestaria ser Fernanda. 
Hoje em dia não sou tão mal resolvida, tenho ideia do que quero da vida e sentimentalmente sou bem menos vazia, mas quero minha excentricidade de volta. 
Quero maquiagem louca porque sim, renovar meu armário de fantasias e achar sempre que estou num filme muito profundo ou numa sitcom engraçadíssima. 
Eu não sou uma pessoa popular e acho que comecei a querer ser, o que foi me distanciando cada vez mais da minha essência que é: ser aquela amiga estranha que algumas pessoas amam e outras acham super forçada, mas que tá sempre sendo honesta consigo e suas vontades. 
A minha no momento é escrever no blog, jantar, desenhar de canetinha e depois ir dar uma volta, com uma roupa bem quentinha, pra olhar o frio viver.
Acho uma das coisas mais poéticas do mundo ver o frio viver.
Fazia anos que eu não usava a expressão "poética" a sério, que pena que eu tive que me sujeitar a tanta coisa que me fez me levar a sério o suficiente pra achar que a expressão "poética" é indigna de mim, é muito vergonhosa.
Espero sempre perceber que esse novo eu crítico é bom pra algumas coisas, mas para as inofensivas: Deixe as pessoas serem ridículas, Fernanda.
Seja mais ridícula, tenha menos vergonha e crítica pra tudo.
Outra expressão que uso pra julgar as pessoas que usam, mas vai acabar fechando o meu texto and I'm not even sorry: mais amor, por favor.

Beijo, beijo,


quinta-feira, 23 de abril de 2015

Por uma moda inclusiva

Quando eu era criança eu amava comprar roupinhas, me sentia um máximo.
Roupa de criança parte do pressuposto que crianças são crianças, não têm peito, têm quadril de infantil, são magras (nem sempre), mas mesmo nessa exclusão das crianças gordas (e deficientes, sempre), crianças gordas ou magras não têm peitão, cintura assim ou assado, bunda pra lá ou pra cá e afins, no fim das contas para uma criança gorda de 8 anos você compra uma roupa de criança de 14 e manda fazer a barra. Não é realmente inclusiva e preocupada com o bem-estar das mesmas, mas não é tão traumático quanto ser adulta e tentar se vestir, ah, ser adulta e tentar se vestir...
Antes da revolução industrial, quando você precisava de uma roupa você ia até o seu alfaiate, passava as suas medidas, entregava o pano e ele te dava um prazo de quando a sua maravilhosa roupa ficaria pronta. Depois da revolução industrial, tudo sendo produzido em massa e absurdas quantidades da mesma peça sendo vendidas por aí, teoricamente o mundo da moda teve que fazer uma média das pessoas do mundo e basear seus moldes nisso.
Acontece que as pessoas que estão na média, ainda assim, não estão de fato na média.
Existem mulheres magras que quase não tem peito, bunda e são muito altas. Mulheres magras com bastante peito, sem nenhuma bunda e baixas. Mulheres magras quase sem peito, com muita bunda e estatura mediana. Mulheres nem gordas, nem magras, de peitos enormes e coxas largas, bem baixinhas, enfim... Existe uma infinidade de corpos diferentes no mundo. Uma infinidade de mulheres diferentes. E a ideia doentia de que só um tipo deles é bonito, desejável e merece entrar numa loja para comprar uma roupa e sair de lá feliz e com a auto-estima intocada.
Quando eu pesava 57kgs era bem magrinha para o meu biotipo, tenho pernão, bundão, peitão e sou bem pequena, ombros estreitos, pernas curtas e coisa e tal, mas com 57kgs era definitivamente magra, magra de ter osso aparecendo no peito e no quadril magra, mas sempre me senti gorda, muito gorda. E por quê? Porque toda vez que eu entrava em uma loja para experimentar roupas, tudo que eu vestia tinha um decote compulsório (que geralmente não era para estar ali), as calças que me serviam eram grandes demais e ficavam com uma fenda enorme entre a cintura e a bunda, as roupas não caiam bem em mim e eu sempre tinha que fazer barra nas minhas calças. Isso quando eu pesava 57kgs. Agora eu peso um milhão de quilos  (ou pelo menos é como a industria da moda quer que eu sinta que eu peso), sim, porque depois de engordar alguns quilos, além de não conseguir achar roupas para mim nem nas lojas normais, nem nas lojas plus size, ainda tenho que lidar com o olhar de nojo e dó de atendentes mulheres que são ensinadas a competir entre si, a tentar humilhar qualquer mulher inferior (as mulheres inferiores são as gordas, negras, de cabelos não lisos, as velhas e enfim, qualquer pessoa que não tenha nenhuma representatividade nas passarelas).
Parece que a indústria da moda fez um acordo com a indústria farmacêutica e elas combinaram que nunca faria roupas com caimento perfeito, pra que, principalmente nós, mulheres, sempre nos sintamos um grande lixo e tenhamos que tomar remédio contra ansiedade, contra depressão, pra dormir, pra emagrecer, pro nosso cabelos ser mais liso, pra nossa pele não ter marcar e afins, porque só nesse caso a indústria da moda daria aval para que alguém pudesse se sentir bem.
Sei que precisa de muito feminismo na vida pra passar por isso nas lojas e não sair de lá se sentindo um mamute. Muito feminismo mesmo.
Enfim, você já passou por algo parecido?
Qual o seu biotipo?
Conta pra mim como você se sente sobre isso.
Agora uma imagem nada a ver:

Beijo, beijo,

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Ceres omanos

Os seres humanos, ah, os seres humanos...
Eles podem ser pessoas absolutamente incríveis, engajadas, preocupadas com questões que não os afetam, porém fazem outros sofrerem, eles podem ser engraçados, eles podem ser meigos, amorosos, simpáticos, fofos, legais, gostosos de estar perto, eles podem ser super generosos, eles podem ser extremamente gratos e maravilhosos. Ou eles podem ser normais.
Eu nunca convivi com pessoas normais, então sempre achei que normal era ser uma pessoa incrível, não que eu, particularmente, seja uma pessoa incrível, mas a esmagadora maioria de pessoas que eu conheço e convivo com são excepcionalmente maravilhosas, mas eu fui descobrir isso a pouquíssimo tempo.
Antes eu sabia disso, quando eu ia na escola eu sabia, convivia com um monte de ser humano normal (ou seja: egoísta, antipático, ingrato, reclamão etc etc etc infinito potencial de estupidez), mas aí aos 15 anos eu decidi que não merecia gastar minha vida (que eu não fazia ideia de se ia ser breve ou não) aguentando toda sorte de gente detestável. Que que eu fiz?
Larguei a escola e fui me profissionalizar em teatro, cinema e televisão.
Dois anos de alegria convivendo com pessoas excepcionais, ah, que felicidade que eu sentia em trabalhar com o que eu mais amava na vida, bons tempos, porém, me formei e fui trabalhar com fotografia, depois cinema, depois conheci uma pessoa horrível e larguei tudo que eu gostava, aí eu esqueci que existiam pessoas boas e voltei pra faculdade, aí por lá voltei a conviver com pessoas normais e que choque! Porque quando você acha que todas as pessoas são ruins também é um choque perceber que existem pessoas boazinhas, mas quando você volta a conviver com pessoas excepcionais você lembra que bonzinho é só alguém que não prejudica ninguém deliberadamente, mas não se importa muito também. Enfim, enfim...
Sei que hoje em dia eu voltei a conviver com pessoas excepcionais, maravilhosas, trabalho com o que eu mais amo nessa vida (fotografia, oi) e convivo com pessoas maravilhosas, tenho sorte de ter clientes muito amorosos e simpáticos, nós fazemos questão de tratar nossos clientes como alguém da família, fazer brincadeiras, descontrair e tirar sempre as melhores fotografias possíveis e, melhor, como nosso estúdio abriu a pouco mais de um mês, nossos preços são promocionais, uma promoção absurda e ridícula de barata, promocional, para exatamente promover o estúdio e criar uma clientela linda e querida, está dando certo.
Porém hoje, excepcionalmente, tivemos essa cliente...
Fomos fazer um ensaio muito bacana, chamado ~lifestyle~ consiste em ir até a casa do bebê (ou da criança, adulto, pet, enfim...) e fazer fotos da rotina da pessoa, muito legal, muito adorável.
E o ensaio foi ótimo, uma bebê linda, super colaborativa, deu tudo certo, tirando pequenos empecilhos (o lugar era longe, bem longe e, enfim, difícil de chegar), as fotos, modéstia a parte, ficaram incríveis, tudo correu muito bem!
Até a hora do pagamento...
Eu já falei que nossos preços são ridículos, né?
R$400,00 para esse ensaio seria uma PECHINCHA e imagina que cobramos bem menos que isso, só imagina que louco, dois fotógrafos, deslocamento, mais de duas horas de ensaio e cobramos bem menos de um preço que já seria muito muito muito baixo. Louco, né?
Qualquer um ficaria obviamente satisfeito (:
Não, claro que não.
Porque como eu disse no começo do texto, nem todo mundo é excepcional, existe no mundo toda sorte de gente mesquinha que quer explorar o trabalho alheio até não poder mais.
A pessoa pagou fazendo uma cara muito feia e depois veio tirar satisfações sobre um preço diferente que tínhamos feito (para adultos, no nosso estúdio, em condições completamente diferentes).
Ainda bem que eu tenho um blog, porque eu tenho também o telefone dessa pessoa e a minha vontade sincera era ligar e dizer que honrar com a palavra é uma coisa que eu espero até do ser humano mais comum... AH! Porque tem isso também, o preço foi previamente acertado e ainda assim a pessoa veio querer dar uma ~~choradinha~~, sabe comé, né?
O trabalho dos outros nunca vale nada.
Então, moça, da próxima vez faz o seguinte: Faz você mesma (:
E você, tem convivido com alguém que te dá raivinha?


Agora uma imagem nada a ver:
Eu emo cabelo arco-íris

Beijo, beijo,