Era andar no frio até uma cafeteria e me sentir um personagem complexo de um filme interessante, com tudo de mal resolvido e uma desesperança muito característica, era saber das tristezas do mundo e sentir se afogando em todas elas, muito cinematográfico, muito distinto, muito adolescente.
Acontece que depois de quase 8 anos, nessa tarde fria de sexta-feira indiferente e cheia de cólica, essa sensação me revisita e eu me sinto nova york de novo.
Sentada na cama vendo o Renan aspirar a casa eu me sinto com 15 anos e me pego com a urgência de colocar fones de ouvido, um sobretudo e correr pra uma cafeteria escrever e desenhar o que é ser esse personagem de filme desesperado.
Acontece que eu sou bem diferente de mim mesma ao 15 anos e isso me dá uma angústia, como se eu tivesse mudado por medo de soar patética, como se tivesse me despido de mim mesma pra parecer mais socialmente aceitável.
Meu eu de 15 anos passava maquiagem teatral pra sair na rua sem medo de chamar atenção negativamente, eu realmente não me importava com críticas porque sabia que era completamente eu mesma, que não tinha me adaptado pra agradar quem quer que fosse e errada ou não, ridícula ou não eu era eu mesma.
Não sentia vergonha nunca.
É claro que a gente cresce, melhora, evoluí, mas eu sinto que tô cada vez mais distante de mim, menos Ferdi e mais Fernanda.
E eu detestaria ser Fernanda.
Hoje em dia não sou tão mal resolvida, tenho ideia do que quero da vida e sentimentalmente sou bem menos vazia, mas quero minha excentricidade de volta.
Quero maquiagem louca porque sim, renovar meu armário de fantasias e achar sempre que estou num filme muito profundo ou numa sitcom engraçadíssima.
Eu não sou uma pessoa popular e acho que comecei a querer ser, o que foi me distanciando cada vez mais da minha essência que é: ser aquela amiga estranha que algumas pessoas amam e outras acham super forçada, mas que tá sempre sendo honesta consigo e suas vontades.
A minha no momento é escrever no blog, jantar, desenhar de canetinha e depois ir dar uma volta, com uma roupa bem quentinha, pra olhar o frio viver.
Acho uma das coisas mais poéticas do mundo ver o frio viver.
Fazia anos que eu não usava a expressão "poética" a sério, que pena que eu tive que me sujeitar a tanta coisa que me fez me levar a sério o suficiente pra achar que a expressão "poética" é indigna de mim, é muito vergonhosa.
Espero sempre perceber que esse novo eu crítico é bom pra algumas coisas, mas para as inofensivas: Deixe as pessoas serem ridículas, Fernanda.
Seja mais ridícula, tenha menos vergonha e crítica pra tudo.
Eu também sinto algo semelhante a sensação "nova york"
ResponderExcluirÉ estranho perceber o quanto mudamos alguns comportamentos, uns bons e outros ruins... mas acredito que faz parte deixar de lado alguns pra vir outros. Não sei se faz sentido ou se isso soou clichê.
Não conheço a ferdi de 15 anos, mas a que eu conheço hoje é uma pessoa maravilhosa!
Me identifiquei com esse post. Não com tudo que você falou, mas a parte sobre me sentir como se tivesse "me afastado de mim mesma". O que mais me deixa triste é que sinto que perdi a criatividade que tinha com 15 anos (tenho 23). Faço faculdade e a literatura científica me deixa pouco tempo pra ler coisas mais inspiradoras ou fazer outras atividades artísticas. Nos últimos tempos tenho tentado reservar pelo menos um tempinho pra ler um livro "normal" ou desenhar...
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